avenida Paulista, um domingo qualquer

September 8, 2018

 

O que fazer num domingo qualquer em pleno inverno rigoroso de São Paulo?

 

Refiro-me aos 11 graus aproximadamente e imagino que inicialmente a sua escolha seria, assim como a minha, se recolher em casa e ficar debaixo das cobertas, assistindo bons filmes e comendo pipoca o dia inteiro.

 

Bom... não seria de todo mal, mas vamos deixar de ser preguiçoso!! Com bom humor, lógico, sugiro às pessoas inquietas como eu, à enfrentarem o frio e se jogarem nas possibilidades dessa cidade que sempre tem uma boa alternativa. No meu caso, fui parar na avenida Paulista, a princípio motivado por um compromisso, na qual explicarei posteriormente, mas que se mostrou ser uma ótima opção de lazer e descontração em qualquer domingo do ano.

 

Chegando lá – na avenida Paulista – me deparei com aquele mar de gente que também tinham optado em sair das suas casas para ‘esticarem as canelas’, todas as pessoas estavam bem agasalhadas obviamente e fiquei muito animado com tudo que vi. Reparando, eram pessoas anônimas, algumas famosas, outras antagônicas no maior respeito, tinha gente em busca da fama, observei uma moça flertando com outra dama, tudo era lindo. Havia uma galera fera apresentando a sua banda, atrás de um pouco de grana, faz parte, o incentivo eleva a arte, e tinha também um povo que acredito ser do circo, pois equilibravam em fitas feito cordas, num buraco tipo abismo, ufa... que perigo! E davam cambalhotas enquanto as crianças apenas brincavam correndo atrás da bola. Muitos ali fazendo exercícios físicos, na verdade se deleitando das boas feituras que a prática traz, além das sensações de prazer e bem-estar, é uma ótima opção para enfrentar os resquícios de solidão e se manter vivo e ativo nesse planeta.

 

Vi um estrangeiro de muito longe, de lá do outro lado do horizonte, ele tinha uma câmera enorme, parecia um menino que se encantava com tudo que pode, filmava e demonstrava em sua face o maior entusiasmo, fantástico! Também observei esse entusiasmo no camarada do país vizinho, se sentia em casa, o Brasil era o quintal como parte do caminho. Havia um desfile folclórico tipo carnaval, acho que era da Colômbia, um bloco colombino ou tal, todos fantasiados no maior “auê”, como era lindo de se ver. Assim foi a minha observação, cada um com o seu instinto, tipo, tino e motivos que convergiam em um senso definitivo: O estado da arte e da alegria!

 

E ‘olha’ que em momentos anteriores a esse, já indaguei com essa decisão da Prefeitura de São Paulo, pois onde já se viu pausar aos domingos a principal avenida da cidade?! Mas era bobeira e levando em consideração que não sou um personagem de Jorge Amado, diga-se Gabriela, "que nasceu assim e tem de morrer assim", evoluo porque não me limito às mudanças e aceitos todas aquelas que fazem sentido, por exemplo, nesse caso nem me doeu mudar de opinião, bastou eu ser um pouco mais sensível e notar que toda aquela movimentação serviria, ou bem dizendo no presente, serve para amolecer o duro estado daquele âmbito corporativo, onde o objetivo maior é o interesse financeiro do indivíduo. 

 

Falo de equilíbrio, compreende?

 

Pois bem, diferente de olhares tensos, desconfiados, acelerados, semblantes preocupados, pouco humano, robotizados à crer que manipulados, por ali imperava a alegria, uma movimentação leve de pessoas caminhando em um ritmo tranquilo e amigável, ânimos ressaltados, sim, com tudo de belo que se via, pois 

tudo era palco, todos eram artistas. Os loucos dançavam, os menos privilegiados financeiramente não pagavam e podiam dançar também, raça e gênero distintos eram apenas a cereja do bolo naquele mundaréu de diversidades, todos com boa vontade e a maior simpatia, os velhinhos de idade premiada pareciam estar nostálgicos, relembrando a sua própria empreitada e torcendo pela elucidação dessa nova geração, a juventude que se exibe de forma ímpar, diferente de tudo que já vimos, X, Y, Índigo, Cristal, DNA de outro plano astral, sei lá... Aliás, a data em questão desse relato, 26 de agosto, tratava-se do dia Internacional da Juventude decretada pela ONU no final do século passado, propondo debates e sensibilização sobre temas relacionados a essa galera forte.

 

E fazendo jus à essa data, explano a vocês sobre o compromisso que que me levou até lá naquele domingo friento, onde tive a oportunidade de me integrar com a ONG Paz sem Fronteiras, na qual sou membro, e na companhia de muitos outros jovens e pessoas de idades variadas que traz esse espirito livre, pude apreciar esse fenômeno da avenida Paulista e celebrar o dia da Juventude com muita arte.

 

Vejam só como foi o desenrolar dessa iniciativa da ONG Paz sem fronteiras para emanar muita alegria e propagar a cultura de paz naquele dia:

 

- Tum, Tum, Tum, Tum...  Soavam aos ares o som uníssono dos Tambores da Paz e recrutavam pacifistas de forma natural, não havia esforços subliminares, pois de forma ligeira o inconsciente das pessoas que por ali estavam, resgatavam na memória longínqua “aquele velho lugar conhecido" que estava adormecido dentro de si mesmo . E através do compasso marcado, os passos eram ajustados, feito uma marcha de paz e amor. Passo a passo se acalmavam também as batidas do coração, melhorava a respiração, os lados direito e esquerdo do cérebro se alinhavam, era o equilíbrio lógico e emocional focando no mesmo alvo, assim como a ordenação dos principais centros energéticos que temos espalhados pelo corpo, o giro certeiro dos benditos chacras, é ouro.

 

E caminhávamos em cortejo adentrando a avenida Paulista propondo a todos uma  cultura de paz através da simplicidade do sorriso, do olhar brilhoso, da beleza do SER que contagia e dentre esses temperos especiais, junto com as batidas dos tambores que já ecoavam, adicionamos também o canto que por sua vez em português, mas que trazia algo a mais, eram as intenções ancestrais do tupi-guarani para saudar os povos originários dessa terra, a juventude de uma outra época, daquele tempo onde o bom costume era replicar os conhecimentos através da oralidade, o canto era arma da verdade, pois disseminavam a sua própria história para as gerações seguintes e graças ao bom Tupã, por muito tempo ela perdura e continua contribuindo nos dias atuais.

 

E falando de ancestrais, é eminente, pois originado do outro lado do continente, os sobreviventes ‘djembes´ (tambores africano) representavam a natureza que gentilmente cedia as suas propriedades para se harmonizar com o coro de vozes emitidos em vibrações especiais através dos dizeres: “Paz, paz, paz... este é o caminho da paz...”, sim, a Juventude e Arte carregavam essas palavras doces que atraiam àqueles que buscavam um sentido maior entre a relação humana, por ventura, imagino que a grande maioria das pessoas que por ali estavam, tinham esse despertar.

 

 

Então, após caminharmos em cortejo por aproximadamente 500 metros apreciando e contribuindo com aquele antro de alegria, paramos no espaço que nos cabia e perfeitamente fomos abraçados pela natureza que resiste naquele ponto da avenida Paulista, sim, o parque com o nome desimportante para lembrar nesse momento, mas que fica próximo ao MASP, do outro lado da avenida. E ali na grande calçada, em formato de meia-lua, virados para a avenida, no fronte com a galera aguerrida, tocamos, catamos, poesias recitamos e ainda foi possível falarmos brevemente sobre o Sincronário da Paz (espécie de calendário do tempo herdado da civilização Maia que nos facilita harmonizar com a natureza, com os ciclos naturais do planeta, dia e noite, giro do sol,  ciclos lunares, etc.) de forma muito dinâmica e interativa, visando o bem-estar e a alegria.  

 

 

Por fim... Fizemos uma grande roda integrada com aqueles que já não eram mais públicos e estavam assim como nós, promovendo a paz por meio da arte, e dançamos o jogo da Capoeira da Paz sem Fronteiras, piruetas, estrelas, gargalhadas, palmas, o coro que todos cantavam reverberavam muita harmonia.

 

É... 

Esse relato é apenas o meu olhar de poucos instantes, imagine o quanto a avenida Paulista nos inspira todos os dias com a manifestação da sua beleza oculta nos mistérios de todos os detalhes que a compões, a arquitetura, as poucas curvas, as pessoas que achamos cultas, cabelos vermelhos ao vento, o tom da gravata amarela, quando brinda é festa, a juventude viva, um cheiro de arte e tudo é um grande barato. Tê-la de forma democrática para simplesmente não fazer nada em um domingo qualquer, é divino! 

 

Explore essa floresta de pedras e aprecie as suas diversidades, ainda há tempo!

 

"...

 

O sofá e a telivisão

vira a nossa mediação.

 

Deixaremos ou não,
incluir o chip da condição?

Que manobra a massa
calculando o que passa.

Não se ouve novas bossas,
não se vê boas novas.

Nos atemos apenas ao que arde
e esquecemos, tempo é arte!
Desperdiçá-lo é abrir mão
e envelhecermos em vão.

Abster-se dessa inferior energia
que não propaga a alegria.

 

Valorizar a cada instante,
pois o universo é constante
e o cotidiano é interessante.
É só ver a lua sempre vibrante,
a natureza nos dá os sinais
porque a vida é mais..."

 

Trecho: Poesia "A sentença cotidiana" - Livro Se7e Pecado Tropicais - Autor Cícero Nepomuceno

Referências citadas:

 

ONG Paz sem Fronteiras: 
Trabalha para a PAZ fazendo seminários, formando pacifistas e promovendo eventos. Convidamos todos a participar deste movimento!
http://www.pazsemfronteiras.org.br

 

Sincronário da Paz:

A frequência do futuro, seja a mudança que você quer no mundo.

http://sincronariodapaz.org

 

 

- Fotografias tiradas por integrantes da ONG e coletada na internet

 

 

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